A morte das fábricas

26 08 2008

O ramo de desenvolvimento de software é algo relativamente novo, por isso as metodologias empregadas no processo parecem tão imaturas, diferentes de uma engenharia civil (Na qual o software tenta se inspirar). Cada hora encontramos a moda do momento no desenvolvimento de software, aonde todas as empresas correm para tentar tirar algum proveito.

Nessa imaturidade da indústria há muito espaço para metáforas errôneas, como a tal fábrica de software. Na fábrica de software o desenvolvedor se torna parte de uma engrenagem no processo de construção de software assim como os operários nas linhas de montagem.

Parece uma comparação muito idiota pra você? Pra mim também, mas é assim que a indústria tem se guiado, seguidamente vendo seus projetos falharem sem focar no real problema.

Ao tentar segmentar a lá Ford o processo de desenvolvimento de software, chegamos a uma série de projetos com pessoas que não conhecem o que estão fazendo, e ao contrário da fábrica de Ford no desenvolvimento de software isso é extremamente importante.

Ao invés de aproximar o cliente do desenvolvimento, o que é a essência para qualquer projeto bem sucedido, a fábrica tenta separá-los mais ainda gerando um ambiente propício a erros e falhas de comunicação.

Para nossa sorte muitas pessoas (incluindo clientes) já notaram que esse modelo não funciona e caminha-se para mudança de mentalidade nas empresas (ao menos em alguns países), e espero sinceramente que o Brasil não fique muito pra trás nessa adoção a processos mais inteligentes.





A prostituição na T.I.

25 06 2008

Há pouco tempo atrás a empresa que trabalho solicitou uma indicação profissional para trabalhar com Java, indiquei um amigo meu que tem bom conhecimento na linguagem e diversas certificações, além de já ter sido líder técnico, ou seja, alguém que eu confiava que faria um bom trabalho.

A empresa ofereceu um valor risível para ele, no final acabou contratando alguém com muito menos experiência. Resultado: O projeto foi um grande fracasso.

Esse não é um caso isolado (quem dera fosse), já tenho visto diversas vezes empresas se recusarem a pagar um valor mais alto por um bom profissional e encher seus setores com pessoas com pouco conhecimento resultando em projetos com baixa qualidade.

O que nós, profissionais de T.I. podemos fazer a respeito? Não nos submetermos a um salário baixo só para estarmos num emprego já é um grande começo.

O mercado de informática anda carente de mão de obra (e mais ainda, de boa mão de obra) e graças a isso podemos impor um certo nível de exigência para com os empregadores. O que não dá pra agüentar é que as empresas queiram impor o seu salário baixo a bons profissionais.

Antes de aceitar uma proposta, verifique se ela é compatível com o que você conhece/estudou, verifique sua real necessidade de conseguir esse emprego. Negocie bem antes, muitas empresas acabam retornando para quem solicitou um pouco mais mesmo após uma recusa inicial.

O Brasil vive um bom momento em informática e isso só tende a fortalecer os profissionais qualificados da área, que passam a poder exigir um nível de salário e ambiente de trabalho melhor. Aproveitem.





Tecnosapiens entrevista André Gentil

7 06 2008

Nada melhor do que termos a idéia de quem está no meio do furacão tecnológico.

Hoje entrevistarei André Gentil, 33 anos. Diretor de tecnologia da Commodity Systems.

André possui 19 anos de experiência, sendo 12 em cargos de liderança e possui certificação PMP desde 2005.

Tecnosapiens: Como você vê o cenário atual de pesquisa e tecnologia em empresas privadas no Brasil?

André Gentil: Existem algumas coisas mudando no Brasil, o apoio do governo através de incentivos está melhorando. Programas como FINEP, Bolsas do CNPQ e outros já permitem alguns investimentos em pesquisa. Mas o grande problema atualmente é a entrega de pesquisas reais e praticas para as empresas. As pesquisas acadêmicas estão desassociadas do que o mercado precisa de imediato.

TS: Você acha que existe uma boa relação entre empresas/universidades para troca de conhecimento e alavancagem de produtos a partir de idéias e pesquisas geradas no meio acadêmico ou ainda engatinhamos nessa área?

AG: O problema focal é a visão acadêmica de pesquisa com pouco aplicação pratica. Estamos pesquisando coisas ainda que o mercado já tem resolvido, isso não ajuda a ganhar apoio do empresariado. Obviamente falo da minha área especifica e não genericamente.

TS: Como funciona a comunicação da empresa passar para a academia o que ela necessita?

AG: Depende muito do projeto, normalmente é feito através do contato e do responsável pela pesquisa.

TS: Como poderiam ser aproveitados projetos que apesar de não terem aplicação prática imediata podem ser usados num futuro próximo?

AG: depende muito. Tecnologia não anda de saltos e sim de melhorias continuas.

TS: Essas pesquisas esbarram em muita burocracia do Estado?

AG: Sem dúvida, os processos demoram meses para começarem e mais meses para serem entregues. As aprovações são demoradas e os atrasos constantes.

TS: Você citaria a burocracia como o grande vilão de não termos um grande campo de pesquisa e inovação?

AG:o, de maneira nenhuma. É um empecilho, mas transponível. O maior problema é a baixa qualidade das pesquisas. São poucos os profissionais de altíssimo nível conectados com o mundo empresarial.

TS: Isso se deve ao que? a baixa qualidade de ensino das nossas instituições?

AG: Acredito que isso é um fator, a qtde desses profissionais é outro tb, e ao foco do ensino.

TS: O foco você se refere a não estarmos formando pesquisadores e cientistas?

AG: Não exatamente, a maioria dos pesquisadores não estão alinhados com as demandas do meio empresarial e sim com suas próprias áreas de interesse.

TS: Você acha que a carência de empresas que inovem, (que em sua grande maioria se encontram em São Paulo) influência nessa ausência de pesquisadores conectados com interesses das empresas?

AG: Não. Acho que é uma questão cultural, e deve iniciar-se pelas faculdades/universidades. Quando tivermos universidades preparadas os empresários irão investir com vontade e facilmente. A visão diferente esta nisso: O empresário apenas vê investimento x retorno e não vai mudar esse é o capitalismo. O acadêmico nunca vê investimento x retorno e uma parcela precisa começar a olhar isso mais diretamente.

TS: Para encerrar a entrevista, gostaria que você comentasse sobre a captação de recursos para idéias inovadoras que apareçam de iniciativas individuais ou empresas recém criadas.

AG: Esse apoio é dado pelo governo, pelos programas de incentivo. Acho q esse processo esta evoluindo, mas existe muita chance para corrupção e para incentivo ao despreparo.

Muito obrigado pela participação André. Quem quiser conhecer mais opiniões de André Gentil pode conferir o seu divertido blog: http://chefeestressado.wordpress.com/





Em busca do offshore perdido

26 05 2008

Há algum tempo o Brasil vem tentando, sem sucesso, se estabelecer como um dos grandes fornecedores de offshore para mercados como EUA e Europa. Há disputa não é fácil, estão no páreo China e Índia.

As dificuldades são claras, a alta carga tributária brasileira. A falta de profissionais qualificados, em especial que tenham fluência em inglês(E quando são encontrados não se sujeitam a trabalhar pelo valor baixo pago por esses projetos). O custo baixo da mão de obra concorrente, o alto turn-over, entre muitos outros.

Muitos estão vendo o novo pacote anunciado pelo governo para incentivar as exportações de software como o salvador da pátria, e realmente a área de TI tem muito a ganhar com isso, porém há muito ainda o que se fazer.

Um fator crucial é melhorar a qualidade de nossa mão de obra, não é raro em fábricas de software vermos um profissional bom abandonar a empresa e para seu lugar serem contratados 2 ou 3 estagiários. Claro, dessa forma a empresa reduz seus custos graças ao valor pago para os estagiários. É uma tática ótima, não? Não. Já assisti de camarote alguns projetos que se recusaram a pagar 4 reais a mais por hora a excelentes profissionais para pegarem no lugar alguns estagiários e graças a isso o projeto quase afundar, ou muito pior, o projeto ser cancelado, o que deu um prejuízo muito maior do que pagar aqueles 4 reais a mais.

Claro que o pobre estagiário não tem culpa da condição colocada à ele, ele que deveria estar ali aprendendo com bons profissionais e adquirindo conhecimento para se tornar um excelente profissional, normalmente tem que se virar sozinho e alguns até levam projetos nas costas, como a ótima descrição da desciclopédia diz:

“ Estagiários (Inutilis Rastejantis) são pessoas semi-racionais, que reconhecem ordens simples, mas não importa o quanto tentem, sempre fazem errado. São contratadas para trabalhar mais e ganhar menos que os outros membros de uma empresa ou repartição pública. Contratados para realizar o trabalho dos profissionais da empresa, para que estes tenham tempo de publicar seus artigos na Desciclopédia.”

Assim vemos uma empresa grande ficar com péssima fama perante seus clientes. A minha esperança é que com a diminuição na carga tributária proposta pelo governo as empresas comecem a pagar mais por excelentes profissionais que possam agregar uma maior conhecimento e solidez ao projeto colocando o Brasil entre os grandes atores do offshore mundial.





O stress da TI

16 05 2008

O meu amigo André postou em seu blog uma notícia da Info que coloca o profissional de TI como o mais estressado, o post pode ser acessado aqui.

Caros leitores profissionais de TI, como anda o nível de stress de vocês?

Isso talvez seja uma demonstração de que precisamos reavaliar nossa forma de trabalho.





O Brasil tem vocação para pesquisa e tecnologia?

12 05 2008

Passo o olho na lista de empresas de “tecnologia” no Brasil e sempre noto que 90% são empresas que fazem sistemas comerciais, sejam fábricas de software, empresas de ERP ou sistemas de controle de padaria.

 

Onde estão as empresas que estão investindo em pesquisa tecnológica no Brasil? Algum tempo atrás um ex-professor meu me mostrou uma lista de projetos de pesquisa que aconteciam na PUC-PR, ali se encontravam excelentes idéias, porém nenhuma abandonou o meio acadêmico. Por que isso ocorre? As empresas brasileiras não estão dispostas a investir em projetos inovadores de pesquisa? Seguiremos sempre a fórmula: Esperamos alguém pesquisar, criar e o mercado consolidar para aí adotarmos em nossos projetos?

 

O Brasil investe cerca de 1% do PIB em pesquisa, número bem abaixo dos países desenvolvidos. Sempre que vejo o governo tentando impulsionar os setores de tecnologia me parece que a visão que o governo tem de tecnologia se resume a sistemas comerciais e computadores mais baratos. O Brasil precisa de propostas sérias de investimento em pesquisa de tecnologias, para deixarmos de ser coadjuvantes e exportadores de mão de obra qualificada nessa área, assim como fez o Japão depois da segunda guerra, e que hoje nos permite usar aparelhos eletrônicos da Sony, Panasonic, Nintendo, citando apenas alguns exemplos.

 

Algumas propostas simples já possibilitariam grandes ganhos nessa área, como possibilitar e incentivar uma aproximação entre o mercado empresarial e a academia para não vermos grandes projetos nunca chegarem ao publico, ficando restritos ao meio acadêmico. Hoje a imensa maioria de nossos cientistas e engenheiros se encontram apenas no meio acadêmico, que por falta de incentivo e da gigantesca burocracia do Estado fazem com que seus projetos parem por ali mesmo. Será que esse é o caminho que queremos trilhar?

 

Há algum tempo atrás foi anunciado o premio Nobel de física para Albert Fert e Peter Grunberg, a pesquisa deles sobre supermagnetismo permitiu criar discos rígidos de computador cada vez mais compactos. A mídia brasileira não tardou a alardear que existiam brasileiros também no projeto. Eu acho que deveríamos é lamentar por nossos pesquisadores terem que sair do Brasil para conseguirem ter seus nomes citados em pesquisas que resultaram em grandes avanços tecnológicos.

 

Quando será que nossos governantes abrirão os olhos para o que é realmente pesquisa e tecnologia? Quando perceberão os benefícios econômicos e sociais que este tipo de investimento nos brinda? Há também uma timidez que precisava ser abandonada por parte da iniciativa privada, mas talvez isso ocorra quando apresentarem a eles as vantagens de se investir em pesquisa.

 

Assim num futuro distante poderemos nos vangloriar de termos criado alguma tecnologia realmente de alcance mundial e não dependeremos mais de procurar nomes brasileiros em colaboradores de pesquisas de sucesso fora do Brasil para nos orgulharmos. 





A empresa do futuro

11 05 2008

Após assistir ao video da eleição do google como melhor empresa para trabalhar nos EUA neste video: Novamente fiquei com a impressão que a grande maioria das empresas no Brasil caminham na direção contrária, o Google se tornou o que é hoje graças a idéias inovadoras de gestão que incentivam a criatividade, e acima de tudo fazem seus colaboradores se sentirem em casa.

Acompanhem o raciocínio, passamos metade (e muitas vezes mais) de nosso dia útil na empresa que trabalhamos, se não nos sentirmos em casa ali, ficaremos apenas olhando o relógio, torcendo para que o fim do expediente chegue logo. E é oque normalmente acontece, já que na terrinha tupiniquim cada vez mais as empresas criam formas mais avançadas de controle sobre os funcionários, colocam restrições absurdas e pré-históricas em relação à horários e comportamentos, e assim como muitos políticos, só aparecem com algumas promessas quando chega a eleição anual das melhores empresas para trabalhar da revista Exame.

Um excelente caso para ilustrar esse exemplo de desgestão que assola algumas empesas é a Atari, fundada por Nolan Bushnell, já nos anos 70 apresentava uma visão inovadora ao estilo vale do silício, o que gerou grandes frutos à empresa, que por muitos anos dominou o mercado de videogames. Sua política preservava o caráter individual de seus funcionários, permitindo um ambiente propício à criatividade.

Após a venda da Atari para a Warner tudo começou a mudar, os manda-chuvas da Warner queriam maior controle e rigidez na forma de lidar com seus funcionários, claro que isso gerou atritos com Nolan, que foi demitido da empresa que ele próprio fundou.

O resultado óbvio de tudo isso é que a Atari começou a produzir jogos ruins e sem criatividade, sendo o caso mais extremo o jogo “E.T. the Extra-Terrestrial”, que foi um fracasso completo. E por fim tudo isso levou ao fatídico crash nas empresas de videogame, que só foram ressurgir com o Nintendo 8bits.

Isso é apenas um exemplo, muitos casos existem para ilustrar essa questão e acredito que deveriam ser levados a sério pelas empresas daqui, não apenas como slogan de campanha para a Exame, senão depois ficam reclamando do alto turn-over nas empresas brasileiras, como se as culpadas não fossem elas mesmas.

Pra terminar vou colocar um trecho de uma palestra de um dos mais conceituados consultores de empresas do Brasil, o Prof. Marins, ele disse que uma vez uma empresa cortou algum beneficio de todos os funcionários pois alguns não estavam tendo bom senso no seu uso, segue o diálogo:

Prof. Marins: -Quantos que estão abusando?

Gestor pré-histórico: -Uma meia duzia

Prof. Marins: -Quantos não abusam?

Gestor pré-histórico: -Os outros, uns 200

Prof. Marins: -E você administra pela regra ou pela excessão?